A ansiedade de que tudo desse certo..com a expectativa que viria uma maratona pela frente. Maratona da qual já tinha percorrido alguns trechos. Mas pagando pra ver como seria reviver os velhos caminhos e conhecer os novos.
Achamos São Paulo...
e pelos metros da metrópole, nos perdemos, e nos achamos.
Pra não cansar!
"A criação comum de ambientes lúdicos escolhidos e a abolição da distinção entre o jogo e a vida cotidiana". Lina Bo Bardi
Sem porquês, a escolhida é ela! TEATRO OFICINA – Lina Bo Bardi
Uma rua, a calçada, o público. Por todos os lados....olhares! de cima, de baixo..você escolhe!
Nada melhor que isso...nada melhor que fazer parte, nada melhor que se sentir atuante..nada melhor que olhar no olho do ator ou da atriz e poder cantar!!! E te chamarem pra cantar.
“ Eu já vi tudo
tu queres me contrariar
esteprazer eu não te dou
não dou, não dou
nem hei de dar
se não gostas de samba
por favor,
outro amor vai procurar”
( Amadeu Veloso / Peter Pan)
aquilo que se chamaTEATRO.
Ter público. E enfim, Comunicar. Encontrar.
A entrada, NADA!
O espaço, TUDO!
Não adianta esconder, nem tentar sair à francesa....você entrou e a partir desse momento você é parte. Te encontrarão, te olharão.
Não olhe, te olham.
Um corredor único, onde todos atuam, todos se misturam, atores e público, público e o Zé, o Zé e sua cria... tudo se torna um único, um só
Teatro oficina foi a surpresa boa de uma nova forma de comunicação no teatro, de um novo olhar do espaço artístico cênico, de liberdade.
Concluiria queLina Bo Bardi é um desconforto.
No caso do Teatro Oficina, ela se faz um desconforto confortante.
Chegar, com a cabeça e o corpo cheios de sono e dar de cara com uma imensidão de materiais aparente e um cheiro de cultura e cada passo.
Uma imensidão de concreto, tubos, tijolinhos, onde o conjunto se faz como um parque seco, qualquer coisa sem muito verde mas de um frescor quase que divino.
Onde tudo se encaixava perfeitamente, mesas e cadeiras, piso, teto e pé direito, caminhos de pedra, caminhos que vieram depois e que não agrediam tais pedras, jogo de planos e alturas, níveis. Um teatro onde o palco é literalmente o centro das atenções e as cadeiras são desconfortantes, propositalmente.
Duas torres interligadas por passarelas e um painel feito de fotos 3x4. Aqui era tudo novo.
Um prédio ímpar no meio de um bosque que chamam de cidade universitária. Às vezes um dó pelo descuido e a situação que está alcançando. Lembrar das aulas de geografia quando falávamos em estalactites e estalagmites.
Mas independente disso, tudo aquilo se faz um enorme lugar. Os desníveis sem barreiras, a possibilidade de vencer medos, e outra forma de se sentir bem, a plenitude da visão dos espaços, enganar-me com essa plenitude e brincar com as descobertas dos ambientes. O jogo da luz natural, da luz que vem de cima e da luz que vem de baixo. Sem contar aquele invejoso canteiro de obra. Encontrar, naquele ambiente propício, velhos amigos que moram longe, pretensiosos arquitetos de lá.
Falaria agora, de casa, escala e sensação de aconchego. Não tenho muitas palavras para descrever o que senti, mas acho que
DELICIOSA
foi a sensação que tive diante daquele minucioso pé direito, aquela interligação de todos os cômodos, a centralidade de uma parede hidráulica e tudo funcionando ao seu redor, sutilmente como se inexistisse qualquer parede. Vontade de ficar por ali e chamar de minha, aquela modesta grande casa, hoje, um viveiro.
Ao seu lado o penar de não poder entrar na outra face do mesmo arquiteto.
Casa modernista, pensar nos espaços interligados, as primeiras tentativas. Portas, portas e mais portas. Então entra, ou sai! Imaginar como seria morar ali, pra onde vai esse buraco no banheiro, deve ser o cesto de roupa-suja. Opa, tava dormindo! As mudanças necessárias com o tempo. Um tanto de sala, um tanto de quarto, uma cozinha pequena, banheiros com passagens “secretas”(?) e uma piscina. Sim uma incógnita de piscina, algumas teorias: é uma divisão para criança e adultos, é uma piscina socialista, é racial. Sem respostas, trouxe a dúvida: “por que aquela piscina tem um muro que a divide em duas?”
Uma descoberta e um “Meu Deus, como eu realmente não tenho noção as coisas que essa cidade oferece”. Um ar de tristeza em ter ido tanto a São Paulo e ter perdido tanto tempo sempre fazendo as mesmas coisas, em sair por lá só pra comer. Enquanto há um mundo de cultura grátis por todo lado e ali no lado, há três ou quatro estações de casa. Um espaço que me lembrou a casinha dos teletubes, talvez pela utilização do terreno ter feito dela quase que imperceptível de um lado, seus terraços jardins, seus vários labirintos comunicados, as salas, o teatro que é visível de cima, e claro a exposição “Post-it City”, belíssima e intrigante ao mesmo tempo. Sem mais o que falar, o que me marcou foi ter chegado em casa e dito pra minha irmã:
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAURB) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Blog aberto para a disciplina de Teoria e História da Arte e da Arquitetura II